domingo, 15 de Novembro de 2009

Para mandar

Cara Isabel Alçada

Vamos saltar a parte de quem eu sou. Sou uma aluna e isso deve chegar até porque o que lhe quero dizer não implica o conhecimento do meu nome ou mesmo idade.

O seu nome era o mais esperado para ocupar a pasta da educação. Quando digo o mais esperado refiro-me obviamente ao facto que desde que o executivo se começou a preocupar com a reeleição que se sabia que a sua antecessora seria amavelmente convidada a ir-se embora. Quanto a si começou mal. Negou ter sido convidada três vezes (onde é que eu já ouvi isto?), quando já era muito provável que tivesse sido contactada para o efeito.

Mas à parte deste pequeno incidente, eu acredito sinceramente em si. Deve ser difícil fazer pior do que foi feito até agora; e é por isso que, na minha qualidade de aluna, lhe queria dar as boas vindas e também dar-lhe algumas sugestões que eu penso que podem ajudar.

É verdade que o Governo tem maioria relativa o que quer dizer que o diálogo vai ter que efectivamente fazer parte das políticas, algo que, como sabemos, esteve em falta até agora. É também urgente que se resolva o problema da avaliação dos professores e do ECD. E pode começar a considerar, embalada pela minha afirmação anterior, a considerar propostas de outros partidos. Também o estatuto do aluno, que apesar de ter sofrido alterações continua a ser um motor de promoção de injustiças em especial o malfadado regime de faltas.

Tudo isto são, contudo, matérias específicas e nesta carta não pretendo de maneira nenhuma ensinar-lhe a fazer o seu trabalho, que fará, com certeza, melhor do que eu faria, caso estivesse no seu lugar. Pretendo apenas pedir-lhe que compreenda que a exigência, a disciplina, o rigor não fazem mal a ninguém, muito pelo contrário. É necessário, ou melhor, é urgente a existência de um ensino que puxe pelos alunos e não que, pelo contrário, facilite a tarefa. A escola não é para ser fácil. A escola não pode ser fácil. E na educação, a escola e os alunos tem que estar em primeiro lugar. Acima mesmo da estatísticas que somos obrigados a mandar para a União Europeia. Interessa também, em relação aos alunos, que, em vez de os encherem com disciplinas que não interessam a ninguém, lhes dêem tempo para eles aprenderem a estudar ou pelo menos que tenham oportunidade de ter mais acompanhamento. O facto de haver mais escola não significa que a escola é melhor. Normalmente, pelo o que tenho vindo a perceber, significa exactamente o contrário. A escola não é um depósito de crianças.

A educação nos últimos anos em Portugal faz-me constantemente lembrar uma cena de uma das melhores séries de sempre, o “Sim, Senhor Ministro”. Há uma vez em que o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha pergunta à sua conselheira política: “O que é que eu posso fazer quanto à educação?” E diz a conselheira: “Fazer ou parecer que faz?”. E ele responde prontamente: “Parecer que faço. Não posso fazer, obviamente”. Só que aquilo era só mesmo uma série de humor. O que se passa em Portugal é a realidade. Por isso, senhora ministra, tente evitar que a educação se transforme numa anedota.


Cumprimentos,

Daniela Major

3 comentários:

blackhill disse...

Está bonito. Parabéns

João disse...

"(..)em vez de os encherem com disciplinas que não interessam a ninguém, lhes dêem tempo para eles aprenderem a estudar ou pelo menos que tenham oportunidade de ter mais acompanhamento"
Concordo plenamente.

Deixa-me só acrescentar, quanto ao facto da ministra negar o convite que lhe foi feito, que.. é óbvio que já tinha sido convidada e aceite o cargo. As regras do partido obrigam-na (e bem) ao sigilo total. De outra forma, seria crucificada neste e noutros tantos blogues, se o nosso amigo Cavaco soubesse da composição do Governo não em primeira mão, mas pelos jornais.
É portanto, uma falsa questão e mais demagogia à boa maneira portuguesa ;)

Anónimo disse...

se todos os alunos pensassem como a Daniela o país não estaria a assistar à debandada dos professores mais antgos Muitos deles são quase postos a andar como se fossem lixo sem as direcções pensem que eles deixaram ali uma boa parte dasua vida.
um grande beijo



H.S