terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

When did you acquire this taste for luxuries?

Caro Afonso: É sempre bom referir-nos ao Sim, Sr. Ministro quando falamos de política portuguesa.

A sério? É que não parece

Não fica nada bem a Alberto Martins andar a dizer, do alto da sua sabedoria: "vocês não sabem o que é viver num Estado sem Liberdade, eu sei o que é." Estas "liçõezinhas" de liberdade devem ser as mesmas que levam Mário Soares a escrever isto. Isto de combater pela Liberdade tem muito que se lhe diga. É algo que funciona com as estações do ano. Ainda estamos no Inverno. Isto da Liberdade é só na Primavera.

Perguntinha

Perguntinha: Isto é violação do Segredo de Justiça? Seja. Castigue-se quem o violou. Se é contra a Lei, então quem o praticou tem que ser punido.
Mas o que me interessava também saber é se o Sindicato dos Juízes vai ter uma resposta ás perguntas que fizeram. É que parece que, a terem razão, também não prestígia de maneira nenhuma, as Instituições Judiciais.

O argumento: "A Justiça é um assunto para ser resolvido nos tribunais, e não na Praça pública", é válido. E infelizmente em Portugal sempre houve muito a tendência para fazer o contrário. Mas já se pensou que se calhar isto acontece porque os primeiros não funcionam bem?

Eu tentei rir-me mas hoje não estou para estas merdas

Alberto Martins a falar no respeito pelo Estado-Direito Democrático

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Petição


Eu já assinei.

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Invictus



How do we inspire ourselves to greatness when nothing else will do?

A pergunta ecoa-nos na mente, desde o encontro de Mandela com Pieenar. Como o fazemos? Como nos inspiramos, onde vamos buscar força quando temos que ser os melhores, melhores que todos os outros?
E a resposta é nos dada quando Pieenar e a equipa de raguêbi visitam Robben Island. Aí, o capitão da equipa ouve a voz de Mandela a recitar o Invictus e percebemos como ele, Mandela, o fez, e percebemos como é que a África do Sul foi ganhando todos aqueles jogos, mesmo que a final tenha sido adulterada. Percebemos como Mandela conseguiu unir o país, conseguiu perdoar as pessoas que o tinham colocado na prisão, percebemos como é que viveu anos e anos dentro de uma cela minúscula e sair de lá, ainda acreditando que tinha forças para liderar um país.
É esta a moral deste filme. "Invictus" não é o melhor filme de Eastwood, do ponto de vista "técnico" ou artístico se quiserem. Preferi, neste contexto, Gran Torino. Mas do ponto de vista humano, do ponto de vista inspiracional, é o melhor de Eastwood. E é melhor do que os outros porque é verdade. Porque aconteceu. Mesmo que haja partes romanceadas, mesmo que nem tudo tenha sido tão ideal, a verdade é que aconteceu, e que o fundo é verdadeiro. E esta ideia, a ideia de que Mandela foi realmente inspirado por aquele poema e não desistiu, acabando com um dos regimes mais injustos de todos os tempos, é quase irreal. É um filme muito bom porque a realidade supera a ficção, porque a realidade é melhor que ficção.
É um filme muito bom porque quando saímos da sala de cinema, alguns com lágrimas nos olhos, sentimo-nos inspirados, sentimos que afinal de contas há coisas pelas quais valem a pena lutar, por muito mais inalcançável ou difícil que elas sejam. E um filme que consegue fazer isto, ainda para mais baseados em factos verídicos, é muito bom.
E no fim, o que nos ecoa na cabeça é a resposta à pergunta colocada pelo próprio Mandela:
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
I am the master of my Fate
I am the captain of my Soul

Boys will be boys

Aparentemente, Queiroz e Jorge Baptista andaram á pancada. Isto agora é moda. Parece que os homens no mundo de futebol deixaram de conseguir falar uns com os outros e resolvem os problemas como os miúdos da primária.

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Coisas

Dizia-me um inglês há uns tempos que, hoje em dia, quando se celebra o dia de Guy Fawkes, não se celebra o facto dele não ter conseguido mandar o Parlamento pelos ares. Celebra-se o facto dele ter tentado.
Dito isto, há um novo blogue ali na lista do lado.

Can we proceed with the affairs of the nation?

O que me mais me choca nesta questão da lei das finanças regionais é que aparentemente o país está à beira do colapso mas nós continuamos alegremente a discutir se mandamos ou não mais dinheiro para as regiões autónomas. Mais valia dar-lhes a independência, sempre davam menos trabalho e ficávamos livres do Alberto João e do César.
Não é que eu não considere esta questão importante. Com o estado de crise em que nos encontramos é sempre bom saber para onde se vai mandar dinheiro. Sinceramente, não sei o que se passa na cabeça da oposição para estar de acordo com esta brincadeira, e também não sei o que se anda a passar na cabeça do Governo para fazer uma escandeleira por causa disto. É que, caso não tenham reparado, isto não ajuda o país. As pessoas. A comunidade. Sabem, aquilo com que a política se devia preocupar.
Se Sócrates se quer demitir por causa disto, então que o faça. Claro que se o fizer vai confirmar tudo aquilo que eu, desde que abri este blogue, andei a dizer. Que ele é um mau político. A Oposição está a fazer o seu trabalho, mas em vez de afrontar o governo em assuntos que realmente valham a pena, perdem-se com coisas como "a lei das finanças regionais", que aparentemente até vai ser vetada. O PSD, não percebo. A restante oposição, opõe-se porque é o que sempre fazem, mas o PSD, que votou a favor do Orçamento, vai bater-se por esta questão. Entretanto por isto e muito mais, andamos a ser comparados com a Grécia.

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Isto tem piada precisamente porque eu nunca pensei nisto

Perguntas e poucas respostas

Não é fácil determinar algo sobre a guerra do Iraque. Digo isto em consequência do Inquérito que está a ser feito em Inglaterra e que tem como actor principal Tony Blair.
Não é fácil determinar pois passou pouco tempo. Oito anos depois, o que vemos é que na realidade, derrubou-se um ditador. Vemos que morreram milhares de pessoas - soldados e civis - e verificamos que não houve armas de destruição maciça. A ideia que sempre tive em relação ao Iraque é que foi uma consequência do ataque ás torres gémeas. Tinha que se fazer alguma coisa, e sobretudo, tinha que se dar a ideia de que se estava a fazer alguma coisa.
O facto é este: invadiu-se um país, causou-se mortes, tudo motivado por algo que nunca se verificou. A ideia de que o Iraque serviu apenas como mais um teatro de morte, sem nenhum tipo de "good outcome" é insuportável. Discordo da afirmação de Daniel Finkelstein. Ele diz no Times que: "Whatever view you take of Mr Blair’s dossiers or George Bush’s politics, without a proper estimation of the possible consequences, as seen at the time, of not acting, the whole war is impossible to evaluate or understand." Não concordo, porque simplesmente as razões dadas para invadir o Iraque eram e sempre foram flagrantemente escassas. O caso da segunda guerra mundial, em que Finkelstein baseia o seu texto, é muito diferente. Seria fácil de imaginar o que aconteceria se a Inglaterra tivesse, em vez de ter adoptado a política de "victory at all costs", negociado com Hitler. Ou pior, tivesse perdido. No caso do Iraque, que provas factuais havia da existência de armas de destruição maciça? E será que eram suficientes para justificar a invasão de um país? A verdade, Mr. Finkelstein é que até agora o sentimento geral é que não valeu a pena. Que o outcome não foi bom e nunca teria sido bom.

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Eu tenho que deixar de ir ao site da bulhosa. E a livrarias, no geral


Mais um a adicionar à minha lista. E agora, o que é que eu faço da minha vida? É que isto supera o Kershaw e todos os outros.

Votaram, não foi?

Não há outra maneira de dizer: temos um primeiro-ministro que em almoços com compinhas planeia desembaraçar-se de jornalistas. Podia preocupar-se com o desemprego, ou com a dívida pública. Mas não.
Temos um primeiro-ministro que é uma vergonha. A única maneira que arranjo para justificar a sua ascensão ao poder é que todos à volta dele são tão ou mais medíocres que ele. Isso ou a estupidez inerente de muitas pessoas.
Temos um Primeiro Ministro que é tão medíocre que precisa de manipular a comunicação social.
Temos um Primeiro-Ministro que não sabe conviver com críticas de espécie nenhuma.
Temos um Primeiro-Ministro que se pavoneia por tudo o que é sítio (almoço das mulheres, a sério?) com aquilo que ele julga serem triunfos.
Temos um Primeiro-Ministro que acha que tudo e todos se deve vergar perante a sua vontade, porque ele, coitadinho, está a fazer um esforço, está a tentar melhorar a situação do país.
Temos um Primeiro-Ministro que vive num Estado Demócratico mas é como se não vivesse.
Temos um Primeiro-Ministro que vem de um partido onde militam pessoas como Mário Soares e (militou) Manuel Alegre mas continua a agir como um pequeno Salazar.
E temos um povo que votou nele. Temos um povo que acha tudo isto muito normal, porque têm mais com que se preocupar.
E por isso, temos um povo que merece.

Só fica espantado quem andar distraído

Este Primeiro Ministro, dá-se mal com a democracia. O pior de tudo é que todos os casos de atropelos à liberdade de expressão que têm surgido ficam sempre impunes, porque somos um país de parvos, a que alguns poeticamente chamam de "brandos costumes" e como tal temos o Governo que merecemos.Com um Primeiro Ministro com um curriculo miserável, incluindo a licenciatura por fax, sem nunca ter dado provas de competência no que quer que fosse, os Portugueses voltaram a colocá-lo no governo, embora tirando-lhe a maioria absoluta. Temos o que merecemos, o país que merecemos, o desemprego que merecemos, o desperdício de dinheiros públicos que merecemos, a justiça a saúde e a educação que merecemos. Mas, voltando à notícia, o pior é que ao ver-se que todos os casos de atropelos à democracia, caiem na impunidade, é o medo que se instala, que é o que convém a Sócrates para que não haja outros também a dizer o que não lhe convém. É tempo de acordarmos.

Guedes da Silva, Economista, Porto (Comentário do Público)

Coisas

Aqui os nomeados para os óscares. Hei de fazer a minha análise, depois da reflexão aprofundada.

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Jawohl, Mein Fuhrer!

O Fim da Linha

Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.

domingo, 31 de Janeiro de 2010

I am the master of my fate, I am the captain of my soul,

Através deste belíssimo texto, a Leonor "mostrou-me" este poema.

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley

E aqui uma breve história do poema e do senhor que o escreveu.

(Admito: chorei um bocadinho com este poema)

Federer ganhou


O Australia Open. De novo. Pela quarta vez. É absolutamente inacreditável. Mas Andy Murray jogou como um leão, especialmente no teceiro set. Muito bem. Para os dois.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

É por isto

Não acredito na vida depois da morte. Mas, de cada vez que as bancadas da Luz se agitam e gritam golo, gosto de pensar que, algures, o meu pai continua a levantar os braços, a sorrir e a abraçar quem ao lado dele estiver a assistir ao jogo. Quantas e quantas vezes não nos vimos nos braços um do outro, empurrados pela cabeça do Rui Águas, pelo instinto do Magnusson, pela genialidade do João Vieira Pinto, pela magia do Rui Costa, pela subtileza do Nuno Gomes e por tantos predicados de tantos e tantos outros. E, também, quantas e quantas vezes não voltámos para casa cabisbaixos, muitas vezes em silêncio, numa cumplicidade encarnada, depois de um ou outro deslize.

O meu pai morreu a 2 de Outubro de 2004. Chorei. Muito. Nessa manhã. Ao longo do dia. No velório. À noite na cama. Em muitos dos dias que se seguiram. Mas – esta é a mais pura das verdades – houve um momento em que as lágrimas correram mais densas do que nunca. Mais carregadas de saudade. Aconteceu quando o carro funerário, que transportava o corpo em direcção ao Cemitério dos Olivais, passou em frente à nossa Luz. Pode parecer incompreensível e irracional, mas a noção de que não mais voltaria àquele estádio com o meu pai e a consciência de que nunca mais poderia festejar com ele uma vitória apertou-me demasiado o coração. Foi nesse instante que verdadeiramente se abateu sobre mim a noção de perda.

Meses depois, no final dessa época, seríamos campeões. Estava no estádio quando o Luisão empurrou a bola para o fundo da baliza do Sporting e nos colocou muito perto do título. Sentada ao meu lado estava a minha mãe e, atrás de mim, um amigo que me abraçou e me disse em êxtase: «Este é para o teu pai! Este é para o teu pai!». Senti nos lábios o toque de uma lágrima. Tinha um travo a alegria e a saudade ao mesmo tempo. Imaginei o abraço do meu pai. Vi o seu sorriso. Senti a sua felicidade.

Quando por fim festejámos o título, na última jornada, estava no Funchal. Fui ver o jogo sozinho a um bar na marginal. Ao soar do último apito as ruas encheram-se de uma euforia vermelha. Por impulso pedi duas cervejas e dirigi-me para a praia. Brindei em pensamento com ele. Voltei a abraçá-lo e festejámos juntos. Ainda tenho uma pequena pedra vermelha que descobri na areia e que trouxe como recordação dessa noite. Mais uma vez senti nos lábios um misto de alegria e de saudade.

Quem o conheceu sabe o tamanho que o coração do meu pai tinha. A ternura dos seus gestos. A bondade dos seus actos. Sofria a bom sofrer com o Benfica, desesperava com as bolas no poste, rejubilava com as vitórias, entristecia com as derrotas, mas sabia sempre reconhecer o mérito dos vencedores. Também no futebol, como em tudo na vida, foi um homem bom e apaixonado. Devo-lhe esta deliciosa doença que é ser benfiquista, mas também lhe devo o desportivismo que julgo ter. E, ao Benfica, devo incontáveis momentos passados entre pai e filho. Obrigado, Benfica. Obrigado, pai. E – julgo que citaste estes versos de Camões no discurso que fizeste na inauguração do novo estádio – ´se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente’, também sei que te recordas de mim em cada golo.


Fialho Gouveia


(para o André, que também vai ao estádio com o pai)

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Já sei que sou uma fascista mas...

Sobre a burka a questão é simples: é óbvio que hoje em dia temos todos de ser muito tolerantes e adeptos do multiculturalismo (esta palavra devia ser riscada do vocabulário), é óbvio que eu não nunca iria discriminar ninguém por usar burqa, ou porque ser muçulmano, ou Hindu, ou coisa que o valha, desde que não me tentassem converter que eu gosto de pensar por mim.
Mas a França é a França. Não é a Arábia Saudita, ou Marrocos, ou o Irão. É a França. Se uma francesa vai para o Irão e anda destapada arrisca-se a ser presa. Há quem ache isso bem. Nós não apreciamos. Tal como os franceses, não apreciam as burqas. Se os ocidentais vêm a burqa como símbolo de discriminação feminina, como sendo muitas vezes imposta, então têm o direito de a proíbir. Mesmo que muitas mulheres usam a burqa porque querem, não é a assim que a sociedade ocidental a vê. Para muitas pessoas, o usar a burqa não se prende com o andar ou não tapado. O problema da burqa é o que ela simboliza. E para muitos países europeus e para muitas pessoas, a burqa é o símbolo de todas aquelas mulheres que são apedrajadas, ou violadas, ou mortas, porque, por exemplo, andaram com um tipo qualquer na rua.
Eu compreendo os argumentos de quem ache isto um escandalo. Mas para mim a questão é uma de adaptação. Se eu algum dia for viver para Inglaterra não posso continuar a conduzir do lado esquerdo como fazia cá.
Eu sei que nós devemos respeitar outras culturas e ser tolerantes. Mas quando alguns actos praticados nessas culturas vão contra os nossos próprios principais, não podemos aceitar. Eu não posso aceitar. Não estou a falar da burqa porque segundo o que sei, do sobre a religião islâmica, o significado original da burqa é bem diferente do uso que lhe dão. Mas a questão é que para os franceses, e provavelmente para uma grande maioria deles, eles olham para aquelas mulheres tapadas como sendo oprimidas ou discriminadas. Se têm o Direito de o proíbir, sendo isso também uma discriminação? É, de facto, uma maneira de olhar para a questão. Mas continua a ser a França. Continua a ser um país europeu, com uma maioria que não é islâmica (mas para lá caminha). E segundo o que me é dado a entender, numa democracia, quem ganha é a maioria. É um pouco como aquela história dos minaretes, lembram-se? Houve um referendo. A malta do costume passou-se com o resultado referendo. Sim, mas continua a ser o país deles. Continua a ser o ponto de vista deles.
Em Roma sê romano, certo? Se temos que respeitar os costumes dos outros, se temos que ser tolerantes, também devemos receber essa tolerância. Dizer que a Europa e as sociedades ocidentais devem ser mais tolerantes do que os outros porque, de alguma maneira "they know better", é quase como dizer que devemos ser tolerantes porque sabemos mais, porque somos "superiores", e sendo "superiores" devemos ser tolerantes com os desgraçadinhos, tadinhos, são tão atrasadinhos. A tolerância deve partir de cada um e nunca deve ser imposta.
E outra questão que eu já referi. Quando vamos para um país estrangeiro temos que ter em conta que, apesar de tudo, vamos ter (normalmente) um papel secundário. Ou seja, tem que se ter em conta que havia pessoas antes de nós. Pessoas que já lá estavam, que já lá nasceram. Isso não nos retira direitos ou adiciona deveres. Isso, pura e simplesmente, faz-nos perceber que não podemos impor o nosso estilo de vida. É, penso eu, o grande problema de todas as minorias, neste caso religiosa. É uma minoria. Os seus direitos devem ser respeitados, até porque se estão num estado de Direito, então são-lhes inerentes os Direitos indíviduais. Mas não se podem impor. Isso já aconteceu na História. Deu para o torto, parece que a malta que lá vivia antes não apreciava.
E são estes os meus pensamentos sobre o assunto. Já sei que me vão chamar fascista e tal como o Cavaco, vão achar que sou uma ditadorazeca, mas lamento. Eu não sou pelo o politicamente correcto (outra expressão que devia ser eliminada do vocabulário).

(Eu sabia que já tinha lido sobre isto em qualquer lado. Ide ler o senhor, ide. )

Um bocado infeliz

Eu nunca tive uma opinião formada acerca do Belmiro de Azevedo. Nunca me ocorreu, sinceramente. Mas esta entrevista dele foi no mínimo, infeliz. Que a Sonae seja incorruptível e que Alegre não tenha juízo, ok tudo bem, cada um tem direito à sua opinião. Mas quando se chama ditador alguém (cada um tem direito à sua opinião) convém não dar este tipo de justificação: Cavaco Silva, "é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim de mão directa".

O Belmiro tem obviamente direito em chamar ditador a quem quiser. Mas não convém dizer que é ditador porque despediu quatro amigos. Foi infeliz. Acredito que Cavaco seja um ditador, aliás, é inegável que fisicamente está a ficar parecido com o Doutor Salazar. Mas dizer que o é, porque "mandou despedir amigos meus", que por acaso foram ministros, não me parece a melhor justificação.

Eu quero tanto ver este filme


Não sei bem como é que vou arranjar tempo, mas vou e acabou-se.

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Faltam-me 10 páginas para acabar isto...


E não estou em condições de falar. Aliás, vou escrever um texto em conjunto sobre este livro com um professor meu, e não sei bem como é que vamos, na realidade, falar um com o outro sobre isto. Como é que vamos comunicar. Um crítico de cinema dizia que se podia escrever páginas e páginas sobre cada cena de "Inglourious Basterds" (Sacanas sem lei). Eu digo que se podia escrever páginas e páginas sobre cada parágrafo d´"a estrada".

Olhem que eu atiro-me

Eu não sei se esta notícia é verdade. Para já, não acredito que seja. Afinal, Sócrates não se demitiu com o Freeport, nem com o caso da Universidade, nem em outras situações onde o "habitual sacrifício humano tem que ser feito" (e a frase não é minha, mas sim do Sir Humphrey que falava a propósito de uma situação muito mais insignificante a todas estas), e por isso não seria agora que se ia demitir.
Caso seja verdade, é absurdo. Quando li esta noticia, pensei imediatamente que Sócrates era uma criancinha a quem lhe foi negado um gelado. É que nem sequer é uma questão de principio, é uma questão partidária. Alberto João Jardim pode ser muita coisa, mas o tratamento dado pelo o Governo aos Açores e à Madeira é, evidentemente e claramente, diferente.
Infelizmente, a ideia que me dá é que o nosso Primeiro Ministro, a isto ser verdade, teve uma atitude tão rídicula, que se torna infantil. E este episódio chama a atenção para outro aspecto que eu já aqui assinalei: os partidos da oposição, do CDS ao BE, não podem, de maneira nenhuma deixar-se levar pela chantagem do Governo.

O tempo de prática já acabou

Já demos o benefício da dúvida. Durante quatro anos deu-se o benefício da dúvida. Agora comecem a fazer as coisas bem feitas, se faz favor.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Hoje sinto-me assim

1321 - The Importance of Elsewhere


Lonely in
Ireland, since it was not home,
Strangeness made sense. The salt rebuff of speech,
Insisting so on difference, made me welcome:
Once that was recognised, we were in touch

Their draughty streets, end-on to hills, the faint
Archaic smell of dockland, like a stable,
The herring-hawker's cry, dwindling, went
To prove me separate, not unworkable.

Living in
England has no such excuse:
These are my customs and establishments
It would be much more serious to refuse.
Here no elsewhere underwrites my existence.

(Philip Larkin)

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

A abstenção é uma maneira fina de dizer não

Cara Manuela Ferreira Leite

Mais valia votarem não e acabarem com a vossa agonia. Parece que engoliram uma espinha.
Sim, que o Orçamento precisa da aprovação do PSD para ir a frente toda a gente sabe, mas a verdade é que lhes custa e muito aprovar isto. Não me digam que fazem isto para o PS não o ir negociar com a Esquerda. É que nem vale a pena entrar por ai, porque se o fizermos vamos passar os próximos quatro anos à mercê do PS que vai passar a legislatura a ameaçar com a extrema esquerda. É um bluff e o mais grave é que é tão flagrante que toda a gente o viu.
Também é verdade que a senhora está-se, no fundo, a borrifar. Ninguém mais do que eu compreende que já deve estar farta de estar nesse lugar que, provavelmente, nunca queria ter tido, e de onde queria ter saído depois das eleições, como teria feito alguém menos responsável. Ficou. Agora, vai ter que arcar com as consequências.
A verdade é que assim não vale a pena o PS ter perdido a maioria absoluta. Isso foi uma conquista e pelo menos agora façam uso dela, já que pelo o que se avizinha, pouco mais vão poder fazer.
Percebo, sinceramente, a sua posição. Imagino o quanto deve ter que se controlar para não mandar o Passos Coelho e o Menezes para o inferno e pedir-lhes encarnecidamente que não saiam de lá. Mas pense, que faltam só uns meses e que depois pode voltar à sua vida, longe de tudo aquilo que, para si, a política não deve ser.

Cumprimentos,
Daniela Major

Eu que não sou de intrigas...



A verdade é que o de cima é mais bonito que de baixo. E por isso, eu não percebo todo o histerismo à volta do segundo.

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Salvem-nos destas pessoas

Segundo o que tenho lido por ai, Passos Coelho é bom porque é novo. Ser novo, hoje em dia é qualidade. E eu que pensava que o contava era ter ideias novas. O que Passos Coelho tem dito nas entrevistas que deu, são soundbites, coisas que já toda a gente disse.
Estou mesmo a ver o que se vai passar. Passos Coelho vai ser o que Sócrates foi para muitos. Tirem daqui o que quiserem.

Coisas que eu espero

Espero, do fundo do meu coração, que as séries de vampiros, tanto da SIC como da TVI, sejam um fracasso tremendo. É que eu não suporto imitações, muito menos feitas porque estão na moda.

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Coisas que eu acho (2)

Tenho para mim que todos os meus problemas (ou grande parte) derivam do facto de eu estar a ler ao mesmo tempo "Os cadernos de Pickwick", "Thomas More", "A morte em Veneza" e ainda a "Estrada", mas toda eu me pelo pela biografia do Hitler.

(Eu não me posso meter nisto. A sério.)