Sábado, 18 de Julho de 2009

Hoje sinto-me assim...




Do it now
You know you are
You feel it in your heart
And your burning and wishin

At 1st wait, it won't be on a plate
Your gonna work for it harder and harder
And I know cause I've been there before
Knockin on door with rejection (rejection)
And you'll see cause if it's ment to be
Nothing can compare to deserving your dream

[Chorus]
It's amazing it's amazing all that you can do
It's amazing it makes my heart sing
Now it's up to you

Pactents now frustration in the air
And people who don't care
Well it's gonna get you down
And you'll fall (fall)
Yes you will hit a wall
Get back up on your feet
And you'll be stronger and smarter

And I know I've been there before
Knockin on door wont take no for an answer
And you'll see cause if it's ment to be
Nothing can compare to deserving your dream

[Chorus]
It's amazing it's amazing all that you can do
It's amazing it makes my heart sing
Now it's up to you

Desculpem lá mas vou ter que falar outra vez do Harry Potter

Está aí o novo filme de Harry Potter. O Vaticano deu-lhe a bênção através do seu jornal oficial, relembrando, mesmo assim, que falta uma alusão «ao transcendente»; as autoridades religiosas têm dificuldade em lidar com o fantástico, da mesma forma que algumas pessoas lidam mal com o humor ou a ironia.

Diz o F.J.V

Lamento discordar do FJV (mais ou menos) e do Vaticano mas acho que o que não falta ao Harry Potter são alusões ao transcedente. A sério. E não estou só a falar de quando eles agitam uma varinha e fazem coisas levitar. Aliás, sempre achei que uma das coisas que está obviamente patente nos livros do Harry Potter é a ideia nítida da existência de uma vida depois da morte. Afinal, eles aparecem uns aos outros e, aparentemente, também se encontram uns aos outros depois de morreram e no sétimo livro há um capítulo que está directamente relacionado com a passagem da vida para a morte. Por isso, não me venham dizer que não tem alusões ao transcedente.

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Um prémio para esta senhora já!

Uma senhora no Porto vira-se para F. Louçã e diz: "Eu admiro-o. Eu admirava Sá Carneiro pela frontalidade e você é como ele"

Absurdo

Caro Ministério da Saúde

Vocês são uns idiotas. Dito isto, penso que posso passar ao assunto que me levou a escrever. Esta ideia rídicula de se proibir os homossexuais de darem sangue é tão absurda que eu nem tenho palavras para descrever. Contudo há outras questões que eu gostaria de colocar. Primeiro de tudo, como é que tencionam descobrir quem é homossexual ou quem não é. Acham mesmo que as pessoas vão responder afirmativamente a essa pergunta se forem dar sangue? Depois, os homossexuais são um grupo de risco tanto como os heterossexuais. Se calhar o Ministério da Saúde é como determinadas instituições neste país e parou em 1980 ou mesmo antes. Acham mesmo que a irresponsabilidade doentia só pertence a um grupo sexual? A sério? Mesmo? Ou acham que as doenças sexualmente transmissíveis tem preferência por homossexuais?

Além disso, mesmo que os homossexuais sejam um grupo de risco, não há exames que se fazem ao sangue? Ou acham que em 10 gays que vão doar sangue, 9 vão ter SIDA ou outra doença qualquer? E não acham que com tantas pessoas verdadeiramente doentes a precisar de sangue, esta decisão é estúpida na medida em que se está a criar restrições rídiculas a uma coisa que é uma necessidade urgente?

E o mais engraçado disto tudo, é que esta decisão vem de um Ministério da saúde de um Governo que se diz de Esquerda. Se ainda fosse de Direita, continuava a ser absurdo mas não era assim tão extraordinário. Agora do PS? Quando o PS quer tornar legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Então isto não é uma enorme contradição de termos? Podem sempre dizer aos gays: "Ah vocês a partir de agora podem casar-se, não podem é dar sangue porque são potenciais focus de doenças. Isto quem tem uma coisa não pode ter outra". Haja vergonha. Por favor, haja vergonha.

Cumprimentos,
Daniela Major

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Paradoxos ou não tanto

Na final daquele rídiculo programa de televisão que pretendia apurar qual o melhor ou maior português de sempre, Odete Santos com o seu estilo habitual, indignada e descomposta, berrava para quem quisesse ouvir: "O fascismo é proíbido pela Constituição!!". Confesso que na altura me perguntei: Se o fascismo é proíbido pela Constituição então porque razão é que o comunismo não o é? E é aqui que entra Alberto João Jardim. Também com o seu estilo habitual, próprio dos políticos que gostam de espectáculo, propõe a extinção do Comunismo.
Uma vez vi uma entrevista com Mário Soares em que ele dizia que Portugal era um país de Esquerda. E somos, embora não saibamos bem o que isso quer dizer. A maior parte das pessoas acha apenas que é melhor ser de Esquerda porque o Fascismo e Salazar eram de Direita. Achamos muito bem e muito correcto que o Fascismo seja inconstitucional mas depois não penalizamos nem responsabilizamos o outro extremo. É como Manuel Viliaverde dizia na entrevista que deu há uma semana. A nossa extrema-esquerda e o PCP enquadra-se nesta categoria, nunca foi responsabilizada. Pegando no exemplo isolado das FP25, quando Otelo é preso e depois libertado e depois candidato a umas eleições e depois finalmente em 1996 a AR aprova o indulto seguido de uma amnistia para os criminosos (ah... que boa altura para se ser de esquerda e terrorista).
É óbvio que em Portugal o PCP continuará a ser constitucional e continuará a ser um partido presente na AR, até porque é um partido que serve para os votos de protesto, embora, penso eu, não tanto como o BE. Mas daqui a muitos anos, quando houver distanciamento histórico, as gerações que hão de vir vão perguntar porque razão é que favorecemos um extremo quando no fundo, vai tudo dar ao mesmo.

Just a statement


Esta é a razão pela qual eu vou ver o filme do Harry Potter. A única razão.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Parabéns Presidente Silva*

Hoje o nosso Presidente faz anos. 70. A piada dos 69 já não se pode fazer.


*Pertence à Karvela

Da coerência

Um leitor do blogue diz que não ficou surpreendido por eu ter gostado da entrevista de Pedro Santana Lopes. Ao menos, alguém que não tenho ficado surpreendido. Enfim, mas se a minha opinião de Santana está a melhorar, a de Roseta já esteve melhor.
Há dois anos, Roseta candidatou-se contra António Costa. Agora faz um acordo com o actual Presidente da Câmara. Enfim, a coerência é uma coisa linda. Cá para mim, não foi só a mim que a entrevista de Pedro Santana Lopes surpreendeu.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Isto não é heresia...é pura verdade

Gostei da entrevista do Pedro Santana Lopes. Não, a sério.

O novo Benfica - desvantagens

Agora o Jorge Jesus fala mais

Perguntas e respostas

Há uns dias um amigo meu, francófono ferrenho, perguntava-me porque razão gosto eu de Inglaterra. Acho que esta questão é provavelmente uma das questões em que eu e ele mais divergimos, e nas nossas conversas é uma tema frequente. Na altura não lhe consegui dar uma resposta exacta e como ele tem sempre o dom de me pôr a pensar agora respondo-lhe.

Todas as histórias tem um principio e o meu amor por Inglaterra começou quando vi pela primeira vez o Sim, Sr. Ministro, o Blackadder, o Fawlty Towers. O humor. Sempre apreciei a capacidade das pessoas de se rirem de si próprias, provavelmente porque eu não sou capaz de o fazer. Depois, a coisa alargou-se. A História. Perguntava-me um inglês há uns dias, como podia eu gostar da história da Inglaterra com e cito "all that blood". Pois bem, este ano dei em História as revoluções liberais começando na "Gloriosa Revolução de 1688". A minha professora deu-nos um esquema que resumia o Liberalismo em Inglaterra, esquema esse que começava com o João Sem Terra e a Magna Carta. Continuava para a formação do Parlamento, mais tarde a divisão entre Câmara dos Comuns e Câmara dos Lordes e depois pouco antes da revolução formaram-se os realistas (tories) e os whigs. No meu teste de História sobre essa matéria, a pergunta mais longa e que valia mais era qualquer coisa como: "descreva o processo que levou à Gloriosa Revolução". Eu escrevi tudo o que sabia. Gastei cerca de duas ou três folhas A4 e consegui a nota máxima na pergunta. O que me espantou e alguém que tenha conhecimentos mínimos em História sabe disso, foi a ideia da limitação do poder real. Numa altura em que todas as monarquias eram absolutas, em que os reis eram considerados os representantes de Deus na Terra, noção que vai sendo aperfeiçoada ao longo do tempo, a ideia que tinha de haver limitações ao Poder Real era para mim extraordinária.

A História diz muito acerca de um país e de um povo. Nós, os portugueses, tivemos tudo e perdemos tudo. Os franceses inventaram os Direitos Humanos mas depois chacinaram a aristocracia do país. Os americanos travaram uma espantosa guerra da independência quando estavam obviamente em desvantagem. E os ingleses sempre tiveram um fraquinho pelas Liberdades, pela moderação e pelo bom-senso. Não pretendo por isso dizer que Inglaterra é o país mais virtuoso do mundo. Isso não existe e se exisitisse os ingleses não estariam, de todo, em primeiro lugar. Muito pelo contrário: a políticas coloniais, um Rei que inventou uma Igreja porque se apaixonou e os rebentos do senhor que se mataram uns aos outros, Oliver Cromwell etc. Mas contudo, não consigo deixar de gostar e de admirar o país que produziu pessoas como Isabel I, Churchill, Francis Bacon, Dickens, Tolkien, Thatcher. (Uma vez li, não me recordo onde, a seguinte frase: "Quando toda a Liberdade acabar ela irá sempre existir em Inglatrra")

É por isto, Erik, que gosto de Inglaterra. É por isto, que gosto de História. E é por isto que quero que a minha especialidade seja História de Inglaterra. Preferencialmente noutro sítio que não aqui.

PS: Não te esqueças que hoje se celebra a tomada da Bastilha.

Nada


É absolutamente necessário ler-se a entrevista de VPV à ler. Tudo o que Vasco Pulido Valente é está ali naquela entrevista. Reduz os maiores escritores contempôraneos a nada, exulta Eça, fala da sua própria burrice, (o que seremos então nós, os comuns dos mortais?), fala de música, do refúgio que são os livros, dos sonhos que não concretizou. É uma entrevista deprimente, pessimista, e fica o aviso: não é recomendável para qualquer pessoa que tenha sonhos e aspirações, como eu, (bolas, só de pensar nas linguas que ainda não apreendi e que vou ter de apreender se quiser ser aquilo que quero ser), e que ainda acha que pode tirar alguma coisa da vida.

Mais uma vez a entrevista de Pulido Valente lembrou-me uma passagem do fim dos Maias sobre o que se faz da vida. Ega diz qualquer coisa como: "Falhámos a vida, menino", e Carlos responde: "Creio que sim...Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «vou ser assim, porque a beleza está em ser assim». E nunca se é assim, é-se invarivalmente assado, como dizia o pobre marquês. Ás vezes melhor, mas sempre diferente."

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Boa, boa, vamos adiar as causas polémicas para não termos de lídar com elas

Este adiamento da legislação do testamento vital mostra-nos que isto é daqueles assuntos que só é importante para as pessoas interessadas em fazer um. Presumo que os doentes em fase terminal deem poucos votos. O mais grave é que isto é um assunto relevante e essencial e se o PS perder as eleições esta ideia cai por terra.

Moral da história

Domingo, 12 de Julho de 2009

Do Estado cultural

O Tiago e o Luis Naves debatem aqui o Estado da Cultura em Portugal. Ou talvez devesse dizer: a Cultura do Estado.
Desviando-me um bocado da discussão, uma das coisas que sempre me fez confusão é esta ideia de que, em Portugal, tudo depende do Estado. Até a cultura. Temos um problema qualquer e achamos que o Estado o deve resolver. O melhor exemplo disto é a novela do BPP. É um banco privado e os clientes acham que o Estado é que lhes deve devolver o dinheiro.
Com a cultura é a mesma coisa. Os artistas não são de maneira nenhuma mais que as outras pessoas. E o Estado não pode subsidiar todos. O problema de tudo isto é o principio que estamos a utilizar: o encosto do Estado. As pessoas "encostam-se" ao Estado e, tal como os clientes do BPP, acham que ele está ali para tudo e mais alguma coisa. E muitas vezes, temos artistas medíocres a receber subsídios que não merecem.
Mais uma vez, acho que é tudo uma questão de esforço pessoal. Um dos melhores exemplo disto é quantidade de jovens portugueses que estão a estudar e a trabalhar no estrangeiro. Nas mais diversas áreas: Ciência, Medicina, História, Artes. E eles vingam. E eles chegam a lugares que muita gente apenas consegue sonhar. E eu pergunto: quantos destes jovens e quantas destas pessoas, recebem apoio do Estado? Poucos sem dúvida.
A cultura é uma opção pessoal e infelizmente não chega a muitas pessoas. Por isso, se queremos que a cultura esteja ao alcance das pessoas comuns porque não acabar com as entradas pagas nos museus e afins? O mesmo se passa com a venda de livros. É verdade que não tem a ver com o Estado, mas é por vezes escandaloso o preço dos livros.

A Lei de Murphy

Nós últimos meses os telejornais tem dado especial atenção ao caso do Martim, uma criança cuja mãe tinha 13 anos quando o teve e depois ele foi-lhe tirado porque se achou que a mãe não tinha condições para criar a criança e os últimos 2 anos foram passados a tentar recuperar a criança da instituição onde está. A mãe e a família da mãe queixa-se que o Tribunal nem sequer se deu ao trabalho de investigar quais as verdadeiras condições da mãe.
Eu não sei muito bem se isto é um daqueles casos em que a Justiça funciona mal. Olhemos para isto objectivamente: a mãe tem 15 anos. Não trabalha. Ainda não acabou a escola. A avó da criança vive de um rendimento mínimo. Não duvido que a criança vá voltar para a mãe. Aliás, é mais que evidente que toda a opinião pública está a favor da mãe. Mas de qualquer maneira, não podemos ver tudo preto e branco e achar que o Tribunal, neste caso o Juiz, é o mau da fita e a miuda é uma desgraçadinha. Algo me diz que não vai ser tudo tão cor-de-rosa como estão a planear. Curiosamente, este caso faz-me lembrar o enuciado da Lei de Murphy: "se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará".

Sábado, 11 de Julho de 2009

Não, mas agora a sério...

...Será que esta senhora tem algum problema mental que a impede de ter bom-senso ou é só mesmo porque ainda não entendeu que o que ela está a fazer não é normal?! É que parece que ela acha mesmo que não está a fazer nada de mal!

Ah bom! Isto ninguém me explicou!

E agora com a marcação das datas das legislativas e autárquicas, inclinou-se perante a maioria...

Mal ou bem?

Mal. Pensou: «Ah, vocês querem assim? Muito bem. Mas vão ser castigados a dobrar nas autárquicas.» Por mim, tudo bem, sou obediente e não votarei em nenhum desses partidos. O único argumento real que nós sabemos é que todos os partidos, à excepção do PSD, queriam as legislativas primeiro por suspeitarem que isso seria desfavorável ao PSD. Mas eu pergunto: isso é argumento que se apresente num país democrático?! Ora, o Presidente da República perdeu uma bela oportunidade de lhes dar uma lição! Preferiu, ao contrário, inclinar-se... para que não se diga amanhã que foi conivente com o PSD. E o que sucede é que neste momento o PS e os seus media que são numerosos e poderosos - estão desesperadamente a tentar colar Cavaco a Ferreira Leite e vice-versa, e a fazerem deles o "inimigo".

Manuel Vilaverde Cabral

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Novas Oportunidades - Lição 1 como não ter emprego mas manter a auto-estima

A TVI está a passar uma reportagem sobre as Novas Oportunidades. Nunca me pronunciei muito sobre esta programa porque queria esperar para ver. E finalmente vemos agora os resultados que eu esperava: O facilitismo dos cursos só trás "auto-estima" em vez de emprego. Como, infelizmente para José Sócrates, ainda há empresas privadas em Portugal, os que saem das novas oportunidades não tem emprego.
Este programa é para mim uma enorme manobra de marketing. Se o objectivo era mesmo qualificar as pessoas porque não recambiá-las para o ensino regular? Com tantos professores desempregados tenho a certeza que haveria vários candidatos para dar aulas. E assim as pessoas consegueriam um nono ano ou um décimo segundo ano normal e não um nono ou décimo segundo de Novas Oportunidades porque este não lhes dá emprego.

Frase do dia

«Espero que seja presidente por muitos anos mais. Espero que isso aconteça. Oxalá! Mas é preciso fazer com que isso aconteça. As coisas não acontecem por si mesmas. É preciso fazê-las acontecer»,

E a frase pertence a José Saramago que decidiu apoiar António Costa na sua candidatura à Câmara de Lisboa. Isto é bom para António Costa e mau para Santana ou é mais o contrário?

Porque hoje é sexta-feira...

Gerard Butler

(Se Obama e o Sarkozy podem eu também)

Céptica


Parece que há uma cimeira do G8. Eu sou sempre muito céptica em relação a este tipo de "eventos", e acho até uma certa piada aquelas pessoas que acham que nestas cimeiras se pode salvar o mundo. Todos sabemos que pouco se alcança. É um pouco como as votações da ONU (aliás, é um pouco como a ONU em geral). Mesmo as "novas" metas em relação ao ambiente cheiram-me a falso ou a pouco. É uma pena. Sempre é preferível o George Clooney. Ou no caso da fotografia, uma rapariga gira.

A razão pela qual não sou patriota

Precisa-se de matéria prima para construir um País Eduardo Prado Coelho - in Público - 25/08/2007

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão
que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL,DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO. Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porqueconseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país: Onde a falta de pontualidade é um hábito; Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memóriapolítica, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns. Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.Não. Não. Não. Já basta.Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS.

Nascidos aqui, não noutra parte...Fico triste.Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimentocomo Nação, então tudo muda...Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREIQUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.E você, o que pensa ?... MEDITE !

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Poucas hipóteses

Parece-me que pouco interessa se Isabel Meirelles é uma boa candidata ou não. Não a conheço e por isso não posso julgar mas por muito bom que fosse o candidato as hipóteses de ganhar em Oeiras são poucas.

Das eutanásias (2)

O Letters from a Tory também se debruçou sobre este assunto:

I would be in favour of people of sound mind being able to sign a legal document in the presence of medical professionals after a terminal illness has been diagnosed (but before their illness reaches a terminal state and only for a limited number of diseases), expressing their wish to be able to end their own life once their disease has reached an advanced stage.

Voluntary euthanasia for people who aren’t even ill opens up a whole world of problems that I have no desire to see appear in this country, but assisted suicide is humane and wholly justifiable on medical and moral grounds. Lord Falconer only lost the vote by 194 votes to 141 because it sounds like he left too much doubt over how, why and when assisted suicide could take place – but these questions can all be tackled one by one until the objections (bar the religious lobby who should be ignored as they have no right to tell me what to do) have all been addressed. It’s not often I say this about your articles, but this time I think you made the wrong call.

Das eutanásias

O Tiago, no seu estilo habitual, escreveu um texto sobre a eutanásia. Concordo com praticamente tudo o que escreveu, menos com a conclusão. Se bem percebi, o Tiago diz que: "a eutanásia não voluntária passiva (estes nomes são enormes) é eticamente aceitável se e só se o doente não tiver contribuido para um sistema de segurança social, situação em que o Estado está moralmente obrigado a cumprir a sua parte."


Comecemos pelo principio. Há dois tipos de eutanásia: a activa e a passiva. A primeira caracteriza-se por deliberadamente provocar a morte sem sofrimento do paciente, por fins misericordiosos. A segunda, por sua vez, não provoca deliberadamente a morte, no entanto, com o passar do tempo, conjuntamente com a interrupção de todos e quaisquer cuidados médicos, farmacológicos ou outros, o doente acaba por falecer. São cessadas todas e quaisquer acções que tenham por fim prolongar a vida.


Esta questão de ser activa ou passiva é importante, porque uma quer dizer que se provoca deliberadamente e a outra significa que apenas se deixa de tratar o doente até ele acabar por morrer. Sendo uma questão importante, porque estabelece a diferente entre "acabar com a vida" e "deixar morrer", há outra questão que me parece ainda mais importante. É a questão da voluntariedade da eutanásia. Alguém que esteja doente, muito doente, que esteja a morrer, tem do meu ponto de vista, o Direito a morrer, sem sofrer mais. É basicamente o mesmo Direito que alguém normal tem da chegar a uma ponte ou a linha de comboio e atirar-se. É a mesma coisa quando uma pessoa tem um acidente e fica tetraplegica, sem se poder mexer. A eutanásia não deixa de ser aceitável nestes casos, se a pessoa estiver, claro, no domínio das suas faculdades mentais.

Contudo, a eutanásia involuntária e não voluntária ou seja por decisão de terceiros, é imoral. É a diferença entre um suícido assistido porque a pessoa pura e simplesmente não quer continuar a viver, e entre alguém que decide sobre a vida de outra pessoa. Se o doente não deixou testamento vital, não há argumento que justifique que alguém decida sobre a vida de outra pessoa, mesmo que essa pessoa esteja num coma profundo e não volte a acordar.

A eutanásia é uma questão moral. É aceitável que alguém queira morrer, porque é uma escolha nossa. Agora, a eutanásia não voluntária, seja passiva ou activa é sempre imoral e é aqui que eu discordo do Tiago. O seu texto envolve uma questão técnica sobre a questão de se receber ou não tratamento médico. O Tiago diz que: "será que uma qualquer pessoa tem o direito de exigir aos outros que a tratem? Ou melhor, será que é uma obrigação moral de um terceiro tomar conta e tratar um doente? Não. Não existe uma obrigação moral." Talvez não haja uma obrigação moral, mas por exemplo, para os médicos há um juramento. Pode não haver obrigação mas esta questão tem um grande fundo moral. Faço-te a pergunta ao contrário: Se alguém não quiser morrer, mesmo que esteja muito doente, não terá o Direito de receber tratamento? Mesmo que não tenha contribuido para a S.Social? Dever-se-há deixar a pessoa, pura e simplesmente morrer?

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Tenham vergonha


"Só desisto de Bruxelas se for eleita em Sintra"

Cara Ana Gomes

Esta ideia dos políticos acharem que podem desistir de um cargo para ir para outro é uma coisa que me supera. Não estamos no sector privado onde cada um pode mudar de trabalho quando quiser e se puder. Aliás, considerando a actividade política, é uma enorme falta de ética. Já aqui há um mês Paulo Rangel desiludiu-me e repetiu esta graça dizendo que voltava para Portugal caso o PSD ganhasse as eleições.

A verdade cara "eurodeputada" é que a senhora foi eleita. Foi eleita numas eleições democráticas. Se este conceito não lhe diz nada eu acrescento: as pessoas votaram em si ou no seu Partido, porque confiavam que ia fazer um bom trabalho em Bruxelas. As pessoas não votaram em si para depois ir para Sintra se ganhar essas eleições! Não se esqueça que em Sintra só votam os habitantes de Sintra. Para as europeias foi um país que votou, ou pelo menos deveria ter sido. É uma falta de respeito para as pessoas que votaram e que acreditaram em si.

Repito e é bom que perceba que é completamente inadmíssivel esta ideia de se ser eleito para um cargo e três meses depois ir para outro. A verdade é que se sabia que ia ter eventualmente de escolher entre um e outro só escolhia um deles. A sensação que passa e é esta, certamente, a sua ideia, é que ao menos se não ficar com um, fica com outro. E mesmo que já tinha sido eleita, isso não interessa nada, não deixemos isso intereferir!

Eu bem sei que hoje em dia os políticos fazem muito pouco por pura convicção mas ao menos podia disfarçar não lhe parece? Tenha vergonha.

Cumprimentos,

Daniela Major

Estupidificação

Eu concordo plenamente com o Tiago e com o Pedro. É triste, é sinceramente triste que estamos tão concentrados em pequenas coisas e nos esquecemos que existe um mundo lá fora. Nos últimos três dias os nosso orgãos de comunicação social estiveram extremamente entretidos com o Ronaldo e com a morte de M.Jackson. Simultaneamente passa-se tudo: cimeiras, combates, a luta de uma minoria, a confirmação de ditaduras. Na entrevista da Maria Filomena Mónica ela dizia que a Direita e provavelmente a Esquerda em Portugal eram incultas e "nunca tinham ido para além de Elvas". Se calhar esta estupidificação de um povo tem também a ver com aquilo que nós é imposto, em todo o lado.

Factos da vida

Não há nada como andar de autocarro para ficarmos a saber a vida de toda a gente do bairro.

A frase do dia

Segundo João Cravinho, José Sócrates devia "convidar Manuel Alegre a responsabilizar-se, conjuntamente com Vitorino, pela elaboração de um programa de governo, para uma síntese daquilo que deve ser a posição do PS no sentido de congregar em torno de um núcleo forte de princípios, propostas eleitorais [em] que se perceba nitidamente que a esquerda se possa rever nelas”. Todos sabemos que as relações entre Manuel Alegre e o PS, mais precisamente José Sócrates, não são as melhores. Alegre ficou no PS não se sabe muito bem porquê. Mas é inegável que se tem vindo a distanciar do Partido. E por isso, para mim é inacreditável que alguém sugira usar Alegre para atrair os votos da Esquerda. É duma hipocrisia enorme. Manuel Alegre discordou de uma série de posições do PS e ninguém lhe ligou nenhuma. A própria Ministra da Educação chegou a trocar palavras bastante azedas com o deputado. E agora há alguém que sugere que Alegre participe num programa de governo? Mais vale voltarem a Soares, sempre dá menos "cana".